Homenagem a um Menestrel

Por: Caio Andrade



Em tempos de Lei Anti-Baixaria e uma epidemia de DJ'de Buzu, aqueles individuos que, ou por falta de consideração ao próximo ou por considerar que todos compartilham do seu gosto musical, resolvem fazer sua viagem no transporte coletivo uma trilha sonora do inferno, é interessante promover, discutir ou pelo menos chamar a atenção para aqueles artistas que se preocupam em produzir música de qualidade. Lógico que o conceito de qualidade aqui é extremamente subjetivo, mas vou partir de uma definição arbitrária e seguir com o objetivo principal do texto, quando digo música de qualidade me refiro à que é produzida sem ter como objetivo primário o lucro, simples assim.

Elomar, artista com mais de trinta anos de carreira se encaixa no perfil de artista, além de não ter como o lucro seu objetivo primário, ainda admite uma postura que considero até arrogante e elitista, diz que sua música é para aqueles "que tem o dom", apesar disso sou seu fã e considero que sua música marece ser mais conhecida e apreciada, questão de dom ou não à parte. Sua música é bastante influenciada pelo folclore e música local, mas também pela cultura de onde nasceu e vive até hoje, o sertão baiano. Essa mistura de influencias gera uma sonoridade sensasional, seja acompanhado de uma orquestra ou apenas em voz e violão a música de elomar te transporta a um universo particular, gerado por suas letras, que à semelhança de tolkien, a partir do folclore cria um universo particular, que ele denomina Sertão profundo, num romance recém lançado, parte de uma série de quatro livros, Sertanílias.

Na música do clipe linkado aqui, é possível perceber de maneira bastante clara a influencia dos romances de cavalaria medievais associados a virtuosidade no violão, onde é possível notar como sua obra contem uma perspectiva moral e de valores bastante própria, provavelmente reproduzindo a da época medieval e fortemente baseada na fé católica. Acho interessante contrastar essa noção, com o meu ponto de vista pessoal.


No enredo, um cavaleiro, acometido por uma tempestade, procura abrigo, que lhe é negado, não por uma questão de desonestitade, mas por uma questão de autopreservação e segurança, de simplesmente não abrir a porta para estranhos, o foco não é a preocupação do personagem em se preservar de um possível agressor, preocupação expressada no diálogo: "em forma de anjo os demônios com ardis mais medonhos nos tentam enganar", o que é posto em destaque ao final da letra é a negação a alguém em situação de desconforto, a negação à "Fé e a Esperança e a própria Caridade". 

O cavaleiro ao final da letra também se descreve num plural, "aos guardiães da vida", acredito que isso seja uma referencia a uma lenda da fé católica de que as vezes os anjos, ou os santos, se disfarçariam de alguém em situação de perigo ou necessidade como forma de testar a fé cristã, vendo por esse lado, o interlocutor falhou feio no teste, coitado.

Referências: 
http://joserosafilho.wordpress.com/2008/09/30/sertanilias/
http://www.mpbnet.com.br/musicos/elomar/
http://www.elomar.net/biografia.html

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